Mark Fisher pensador da cultura cibernética

Mark Fisher foi, antes de tudo, um autor que pensava com e por meio da cultura pop. Filmes, música, ficção científica, cyberpunk, horror cósmico e cultura popular não aparecem em sua obra apenas como objetos a serem contemplados externamente e interpretados: funcionam como instrumentos imanentes de investigação teórica, capazes de tornar perceptíveis transformações na tecnologia, na subjetividade e na própria experiência do real. Este curso explora esse procedimento acompanhando dois momentos extremos de sua trajetória intelectual: sua tese de doutorado, Constructos Flatline, escrita durante os anos da CCRU, e seu último livro, O estranho e o sinistro. Do materialismo gótico e realismo cibernético às incômodas questões sobre agência, o fora e forças inumanas, seguiremos um percurso que começa no cyberpunk dos anos 1980 e termina nas paisagens sinistras do Fisher tardio, procurando compreender as continuidades subterrâneas entre o primeiro e o último momento de sua obra.


AULA 1 — CCRU: hiperstição, materialismo gótico e realismo cibernético

O primeiro encontro será dedicado ao Fisher dos anos da Cybernetic Culture Research Unit (CCRU), tomando Constructos Flatline como um documento privilegiado desse período. Partiremos do universo intelectual e cultural da CCRU — cyberpunk, ficção científica, teoria francesa pós-estruturalista, música eletrônica e cultura digital — para explorar conceitos como hiperstição, materialismo gótico e realismo cibernético. A questão central será compreender como Fisher utiliza os artefatos da cultura para desafiar fronteiras aparentemente estáveis entre humano e máquina, organismo e tecnologia, realidade e ficção, mostrando como a própria cultura pode participar ativamente da produção do real. Concluímos explorando a tumultuada relação entre Fisher e Nick Land, da colaboração em Warwick ao rompimento político nos anos 2000.


AULA 2 — Esquisitices: providência secular, agências inumanas e a ética do sinistro

O segundo encontro se desloca para o último Fisher e para O estranho e o sinistro, livro em que a cultura e a ficção operam de novo explicitamente como verdadeiro laboratório teórico. Através do cinema, da literatura, da música e do horror, Fisher distingue duas modalidades estéticas — o estranho (weird) e o sinistro (eerie) — que perturbam nossas expectativas acerca do que existe e do que pode agir. Investigaremos especialmente os problemas da agência: a sensação inquietante de que alguma força está agindo quando não conseguimos identificar qualquer agente humano, a estranha torção na causalidade temporal na ideia de destino. Do horror cósmico às paisagens vazias, o último Fisher será apresentado como um pensador da exterioridade e das agências inumanas, para quem a experiência estética pode abrir uma fissura em nossa imagem habitual do mundo.


29 / 30 SET

terça e quarta

19 — 21h

89,90


Formato: 2 aulas on-line via zoom.

Carga horária: 2h / aula, totalizando 4hs.

Haverá emissão de certificado.

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Victor Marques é Professor da Universidade Federal do ABC. Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (2006), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (2009) e doutorado em filosofia na PUCRS (2014), sob a orientação do Professor Dr. Eduardo Luft, com sanduíche na Universidade de Bonn, sob orientação do Professor Dr. Markus Gabriel. Foi bolsista CAPES durante o mestrado e doutorado. Trabalha nas áreas de filosofia da biologia, filosofia da ciência, filosofia da mente, filosofia da técnica e da tecnologia, e filosofia política. É editor associado da revista JacobinBrasil.

Primeiro grande estudo de Fisher, baseado em sua tese de doutorado, a obra articula a teoria de autores como Deleuze e Guattari, Baudrillard e Freud à literatura de ficção científica e de horror. Em um cenário marcado pela automação, pelas redes de informação e pela mediação tecnológica da vida cotidiana, sistemas e máquinas deixam de ser meras ferramentas para assumir um papel cada vez mais ativo na produção da realidade social. A ficção científica deixa de ser apenas um exercício de imaginação e representação sobre o futuro para se tornar uma lente privilegiada para compreender as mutações do presente.⁠

POLÍTICA / FAKE NEWS / SOCIEDADE / BOLSONARISMO

Relacionando a perspectiva cibernética de Bateson com outras abordagens sistêmicas dentro e fora das ciências humanas, o curso analisa a dinâmica das redes para compreender a radicalização na política.







2 aulas / 1h cada

59,90

FILOSOFIA / POLÍTICA / CULTURA / ARTES

O curso analisa a ascensão do fascismo contemporâneo em conexão com a estrutura psíquica da individualidade moderna, sem psicologizar a política. Discute como o neoliberalismo gera sofrimentos sociais que podem tornar o fascismo uma resposta coerente — embora catastrófica — a esses conflitos.



2 aulas / 1h cada

59,90

FILOSOFIA / PSICANÁLISE / POLÍTICA

E se, ao contrário das usuais perspectivas sobre a política, centradas no Estado, nos poderosos colonizadores e na representação, partirmos do primado da luta e seus movimentos como elaborado por um conjunto de autores e atores (como Frantz Fanon, Malcolm X, Martin Luther King, Panteras Negras, Zé Celso Martinez Corrêa), atravessando abordagens e posições? Eis a proposta de pensar com o movimento.


2 aulas / 1h cada

59,90